Criminal Code

Logo de cara, nas primeiras notas fica a impressão de que você está escutando algo que remete muito Spectres, meio sombrio talvez, mas então você escuta de novo, e escuta e escuta e acaba se dando conta que essa banda segue uma linha que cai muito mais pra Hüsker-dü bem do início, as guitarras são boas, vocal com uns delays bem evidentes, baixo e bateria na medida certa e não da pra não citar que do começo ao fim dá a impressão de realmente estar escutando algo lançado nos anos 80, o que atualmente é quase uma constante na maioria das bandas que vieram dessa mesma “safra”.

Da cidade de Tacoma -WA, Criminal Code; a banda conta com Taiga – guitarra e vocal,  Andrew – baixo, Avi – bateria e acaba de lançar um 12″ EP intitulado “Code Thought” (Inimical Records). Mesmo que nesse novo registro as musicas estejam mais enérgicas e mais bem elaboradas, salvo por “Dry Spell” que apesar de ter muito mais a cara desse disco novo foi regravada, fica claro que a banda não mudou tanto se compararmos com o K7 que saiu ano passado, o que não é ruim de forma alguma considerando que o K7 que só possui 4 musicas também é classe A; eu até arriscaria dizer que o “Code Though” saiu com uma cara mais “revolution summer” e tudo, mas nada que possa definir o som da banda de forma geral, é punk e pronto.Bom, acho que é isso, não tem muita coisa sobre os caras na rede, até mesmo na própria página da banda tem pouca coisa fora as datas de shows, em outros sites o que mais se encontra são pessoas falando que viram eles tocando aqui e alí, mas por fim, quem quiser dar uma conferida é só clicar Criminal Code, e em primeiríssima mão  “Code Thought”. Divirtam-se

Criminal Code – Code Thought (2012) – download

Blank Pages

No ano passado houve uma chuva de bandas novas vindas de vários lugares distintos e curiosamente sempre tocando algo muito similar, um som lento, dançante e na maioria das vezes abordando ótimas temáticas em suas letras, é o caso dessa banda que mesmo tendo aquela cara peculiar das bandas de Portland, vem de Berlin e talvez por se parecer tanto com algumas bandas de lá tenha me chamado a atenção, afinal, mesmo que atualmente muita coisa esteja sendo feita dentro desses “moldes”, são poucas as bandas que ainda me fazem sentar, ligar o toca discos e ficar observado a arte da capa e lendo as letras enquanto a musica toca, “grande coisa né”.

Blank Pages | Berlin – Alemanha 

Acho que vale dizer, só por precaução que existe uma banda de pop rock cristão em Indianapolis que também se chama Blank Pages e um desses dias dando uma olhada na página DO Blank Pages no facebook, eu me deparei com um  post do guitarrista Alex falando sobre as pessoas confundirem as duas bandas, aí vai…

Hello americans,
we came to realize that a lot of you seem to get us confused with the christian Blank Pages from Indianapolis. Whereas we seriously don’t give a fuck whether you “like” us or not, you should be aware that not only are all of us sincere atheists, but we also hold the firm conviction that the christian religion, as much as any other religion for that matter, is medieval bullshit that shouldn’t have a place in the 21st century.
Thank you, good night and fuck your jesus.
Blank Pages

Então, esclarecimentos a parte, eu acho bem animal quando as bandas aparecem e de cara já lançam algum material, fazem uma tour grande e toda essa coisa, foi meio o que aconteceu com os Blank Pages, em Agosto de 2011 os caras fizeram o primeiro show em Berlin e não muito depois lançaram o primeiro registro da banda. Trata-se de um 7″ com 4 musicas que saiu pela Taken by Surprise Records.

Aí você me diz, só 4 musicas? E eu te digo, 4 ótimas musicas, duvida? na Maximum Rock n’ Roll de Maio saiu uma resenha desse disco, se possível e se te interessar dê uma conferida. Bom, talvez um dos atrativos desse registro seja que, além da excelente musicalidade, a ordem em que as musicas foram distribuídas no disco é algo que de alguma forma chama a atenção, logo nas duas primeiras faixas já dá pra saber que os caras não tão de brincadeira mesmo, a terceira faixa “Sleepwalking” soa quase como uma quebra, te preparando pra um final provávelmente inesperado… Por fim, a 4ª e ultima faixa do disco, que também é a minha preferida, intitulada “Unseen” fecha de forma satisfatória mesmo deixando aquela sensação de “podia ter mais uns sons aqui“. Bom, não vou me estender muito, confiram por vocês mesmos e divirtam-se.

Blank Pages – s/t 7″ (2011) – download

Entrevista Tuna

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 E estreando as entrevistas por aqui de um jeito que não poderia ser melhor, um papo classe A com os simpaticíssimos Josimas e Andreza que falaram um pouco do Tuna (SP) que anda espalhando boa musica e cultura libertária mundo a fora. Confiram e divirtam-se!

TSN – Então, acho que como já é de praxe contem um pouco sobre como surgiu a ideia de fazer o Tuna, ou a Tuna, aqui no norte a gente tem o costume de chamar as bandas de “o” mas fiquem a vontade.

Josimas – A ideia de montar a banda surgiu por volta de 2008 mas só conseguimos ter uma formação definida bem depois. Após algumas tentativas com alguns integrantes conseguimos estabilizar uma formação que começou a compor e preparar um set, a ideia era montar uma banda com letras politicas, não tão diretas e explicitas e com musicas dançantes. Assim, surgiu a ideia da banda.

TSN – E como foi a receptividade do publico?

Andreza – Como a gente ensaiava no Espaço Improprio, muitas pessoas ouviam os ensaios, e todos que estavam acompanhando já estavam falando coisas positivas da banda, isso gerou uma expectativa tanto nossa como das pessoas para ver a banda ao vivo. Quando fomos fazer nosso primeiro show, nosso baterista ficou muito doente e acabou falecendo de câncer, ficamos muito abalados e quase não continuamos o projeto, mas com o próprio apoio da família dele e de amigos, fizemos nosso primeiro show no espaço improprio. Foi um show em homenagem a ele, então foi um show muito esperado e emocionante.

Tuna | Espaço Impróprio | São Paulo (foto por: ?)

Josimas – Foi muito importante para nós continuar a tocar mesmo apos à morte do Mudinho. Parece que o mantemos do nosso lado, como se não tivéssemos desistido dele. Então seguimos com os planos que tínhamos feito junto com ele e logo em seguida o Renato entrou na banda, também um grande amigo nosso e envolvido com outros projetos conosco.

TSN – Então, eu tava meio receoso de falar sobre o mudinho, não sabia se o assunto era oportuno, dando uma olhada na arte do disco do Tuna, que por sinal é linda, fica impossível deixar de perceber o texto que vocês incluíram no encarte sobre o envolvimento que vocês tiveram com ele e o envolvimento que ele teve com a banda, desconsiderando o óbvio, qual foi o impacto que o falecimento do mudinho teve na banda?

Andreza – Acho que o Tuna tem um sentimento muito forte por conta disso, nós carregamos muito isso nas coisas que a gente faz e isso faz com que a banda tenha shows fortes que vão desde o alegre, intenso ao triste. Mas sempre mantendo um sentimento forte de continuar fazendo as coisas que acreditamos.

Josimas – O falecimento do mudinho foi devastador, passar pelo processo, que foi rápido, desde o descobrimento da doença ate o falecimento, nos abalou, fortaleceu depois, mas manteve a gente com um sentimento único que sempre é transmitido nos shows, como a Andreza disse, mudamos nossa postura, nossos sentimentos quando estamos juntos. O mudinho está conosco em tudo, na arte do LP fizemos uma grande homenagem a ele, a questão do galo se dá, pois ele tinha um galo desde os 6 anos e quisemos deixar isso eternizado.

TSN – Nossa que massa, esse é um fato curioso. E como foi ter um integrante novo na banda substituindo parcialmente alguém que teve um peso tão notório na vida de vocês como sujeitos e como banda?

Josimas – Bem, o Renato também era amigo do mudinho e a Andreza e eu já tocávamos com o Renato.

Andreza – O Renato é uma pessoa muito importante pra gente, além de ser amigo do mudinho e ter sentido muito com o falecimento dele, ele também faz parte da nossa vida, pois temos coletivos juntos e isso facilitou muito essa transição.

Josimas – É claro que demorou um pouco até o Renato pegar a coisa em si do punk rock, ele sempre tocou hardcore e metal, nunca tinha tocado punk rock, mas isso foi surgindo aos poucos e já estamos compondo musicas com o Renato e tem sido muito bom.

Tuna | foto por: Elaine Campos

TSN – Além do Tuna e da No Gods No Masters, quais são os outros projetos que vocês possuem dentro do punk?

Andreza – Josimas , Renato e eu temos um coletivo chamado cultive resistência. O cultive resistência é a nossa parte criativa, temos como principal objetivo buscar e levar a possibilidade de uma vida mais autônoma e colocar isso em pratica de uma forma real. Lançamos materiais, bandas, damos oficinas, cursos, organizamos eventos, escrevemos, laçamos zines, livros e também temos como projeto a permacultura, colocar em nossas vidas outras maneiras de viver, de uma forma em que haja harmonia com o ambiente, autonomia e liberdade.

TSN – O que de fato é uma ótima iniciativa, tá faltando mais disso aqui no Brasil.

Josimas – Sim, e vamos pouco a pouco construindo essas coisas por aqui.

TSN – Sobre o disco, 7 faixas, punk rock muito bem tocado, capa e arte lindeza, quais são as influências do Tuna em específico, existe nesse caso uma “grande sacada do disco” considerando que o título do disco e as letras são relativamente subjetivas?

Andreza – Difícil falar das influências do Tuna, a banda é formada por 4 pessoas muito diferentes umas das outras no sentido musical.

Josimas – Cada um gosta de muita coisa que os outros gostam, mas existem algumas coisas que são bem peculiares nos gostos musicais e cada um traz isso para o punk rock, mas como dissemos antes, parece que essas influências se tornam bem pequenas quando juntamos tudo pois o sentimento é o que realmente move nossas musicas.

Andreza – Exatamente o que o Josi falou, acho que cada um pega o punk rock e coloca o que sente; e disso tudo sai o Tuna. (risos)

Josimas – É, além de tudo que vivemos e que desejamos viver, é disso que falamos em nossas musicas, de nossas vidas, de como passamos nosso tempo, de como desejamos viver, de como vemos o mundo.

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TSN – A mais ou menos uns 2 ou 3 anos atrás houve um boom em algumas partes dos Estados Unidos e da Europa (especialmente em Portland e em Ümea) do que eu já ví chamarem de “o novo pós punk”, e junto com esse boom uma série de bandas começaram a, digamos, ser mais percebidas, vocês acham que de alguma forma o Tuna recebeu alguma influencia disso tudo pelo fato de ter optado por tocar lento e não rápido?

Josimas – O punk é incrível, consegue se renovar quando começa a perder folego em vários aspectos, essa leva de bandas que tocam o famoso 4 x 4 , o punk rock surgiu enquanto todos buscavam ser copia de bandas hardcore, que já estava ficando saturado.

Acompanhamos muito deste surgimento e do trabalho feito por estas bandas e gostamos bastante delas, as pessoas que ouvirem o nosso disco vão ver que não nos apegamos a isso, criamos uma mescla que não tem muito a cara da maioria destas bandas suecas e estadunidenses… Na verdade tem um pouco por que estamos na mesma cena, temos a mesma proposta de vida e todos bebemos na mesma fonte que é o punk rock anos 70.

TSN – Falando em Europa, ano passado vocês fizeram uma tour por lá, e tocaram também no Punk Illegal que é um festival bem conhecido mundialmente, além de outros, como foi fazer essa tour? Alguma historia em especial? E como a banda foi recebida pelos europeus?

Andreza – Essa tour foi uma experiência muito boa pra gente pois praticamente todos os shows foram marcados por nós mesmos, desde contatar as pessoas, traçar a rota, combinar tudo. A banda não tinha nem feito show no Brasil direito, tanto que quando chegamos de volta da tour europeia, tínhamos feito mais shows lá do que no Brasil.

Nós tínhamos uma gravação, feita com o mudinho, uma gravação ao vivo que resolvemos lançar em LP em homenagem a ele por ter sido o ultimo registro dele, mandamos a gravação para o pessoal do Chicken’s Call que nos ajudou a lançar com outros selos amigos de lá, principalmente da França. Depois disso, resolvemos com o LP em mãos, fazer essa tour de 45 dias; como a banda era desconhecida, estávamos com aquele frio na barriga, mas os shows foram muito bons, conseguimos fazer as pessoas entenderem o sentimento da banda, a interagir com a gente, ter acesso a materiais do Brasil e aos nossos, e isso foi muito bom! Em muitos shows nós não tocamos, apenas demos oficinas e palestras, no Punk Illegal, por exemplo, demos uma palestra sobre punk na ditadura militar no Brasil.

Josimas – É legal dizer que também ficamos um tempo antes de começar a tour com amigos e amigas no norte da Suécia, convivendo juntos.

Tuna | Punk illegal | Munkedal – Suécia (foto por:?)

TSN – Agora a pergunta que eu tava ansioso pra fazer, a tour pelo nordeste, como surgiu a oportunidade? por onde vai passar? tá tudo fechado? vai durar aproximadamente quanto tempo?

Josimas – Bem, desde que começamos a banda sempre quisemos viajar por todas as partes do mundo, o nome Tuna já diz isso, vagabundos que saem pelo mundo organizando coisas, shows; de cara caímos pro velho mundo em uma tour de 29 shows em território europeu e isso foi meio que andar sem engatinhar. Sempre tivemos ótimos contatos com diversos amigos e amigas no nordeste e sempre falamos sobre a possibilidade de irmos para este lugar que tem um charme e atração super especial para nós.

Começamos a ver as possibilidades de fazer alguns shows em algumas cidades, mas vimos que tudo é muito caro se não for dividido em varias cidades e resolvemos esperar um pouco para conseguirmos tempo para uma viagem maior e que seja menos dispendiosa para cada região, por fim, vamos fazer Nordeste, Centro Oeste e um pouquinho do Sudeste pois vamos passar por Rio de Janeiro, Espirito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Goiás. A ideia era tentar fazer uma tour sustentável, tentar ao máximo organizar junto os shows, com cada pessoa em cada cidade, sabendo a importância de apoio para quem está se aventurando de carro, levando equipamento, de cidade em cidade, rodando 9 mil km, sentimos fome, sede, necessidade de carinho, atenção e sem deixar de lado os malditos postos de gasolina que ficam com tudo que arrecadamos em cada cidade.

TSN – Demais, vocês já tocaram no nordeste com outras bandas ou é a primeira vez?

Andreza – Nós tivemos a oportunidade de fazer uma tour de zines pelo nordeste, foi incrível.

TSN – Fala um pouco sobre essa tour de zines Andreza.

Andreza – Conseguimos fazer uma tour toda sustentável, viajando até salvador dando oficinas, bate papos, tudo relacionando aos zines que estávamos levando, foi inédito isso no Brasil, uma tour longa, sem bandas e toda sustentável. Nós fomos em 6 pessoas, 3 pessoas do coletivo Cultive Resistência, que são as 3 que tocam no Tuna (Josimas, Renato e eu), e mais 3 pessoas do Rio de Janeiro, do coletivo Hurra e Cooperativa Manjericão. Todos nós tínhamos escritos zines e com isso surgiu a ideia de viajarmos fazendo o lançamento desses zines, dando oficinas, bate-papos, exposições e etc…

Aconteceram desde oficinas de saúde da mulher e comida vegana, até oficinas de permacultura e bate-papos anti-civilização. Começamos em São Paulo, passamos pelo Rio de Janeiro, Vila Velha, Salvador, Simões Filho, Cruz das Almas, Vitoria da Conquista, Belo Horizonte, Divinópolis e por aí vai; em salvador foram 5 dias de atividades, todos os dias, fomos de carro com muito material e vontade.

Josimas – Eu e o Paulo já tínhamos feito alguns shows em algumas cidades do nordeste com uma ex banda nossa, a Execradores e temos fortes laços por lá.

TSN – E as expectativas pra tour?

Josimas – As melhores possíveis, queremos levar tudo que temos de experiência , material e desejo nesta tour, muitas pessoas estão nos ajudando muito em tudo isso. Essa rede que fazemos parte é incrível, tem muita força e vamos trocar muitas coisas boas nesta viagem, iremos com um certo tempo, não tocaremos todos os dias pra podermos ficar um pouco mais próximos as pessoas, dar alguns mergulhos, conhecer as realidades, cozinhar juntos… estamos contando os dias.

TSN – Josimas e Andreza, queria dizer que o papo foi super prazeroso, acho que quando nós conhecemos um pouco mais sobre as bandas que gostamos, de certa forma acabamos nos sentindo mais próximos e consequentemente passamos a gostar e a admirar mais ainda, queria desejar boa sorte pra vocês na tour e força enquanto o Tuna durar, um grande abraço.

Deixo esse espaço pra vocês deixarem um recado ou qualquer coisa pra molecada que vai ler a entrevista.

Josimas – Adorei também o papo, ainda mais hoje que olhando umas fotos do Espaço Improprio, vi algumas fotos do Mudinho e é claro que a emoção foi a mil…

Conheci seu site há alguns dias e fiquei impressionado com o conteúdo, algumas bandas que você postou nele são bem desconhecidas da maioria da cena punk Brasileira e isso eu acho muito bom e produtivo, algumas vezes me parece que temos olhos somente para as bandas já consagradas e deixamos de lado ótimas bandas novas com trabalhos lindíssimos. Desejo toda a força do mundo ao seu site e quem sabe um dia ele não sai das telas e vai para um mundo de papel, um zine talvez. (risos)

Acho que o que temos a deixar está em nossa musica, em nossas letras, nossa vida e deixando claro que todos e todas tem muito a contribuir para um mundo diferente, anti capitalista, voltado mais para a sinceridade, relacionamentos sinceros, construindo nossa própria vida de forma diferente a aquela que nos propõem e enfiam goela abaixo… Obrigado pelo espaço.

Andreza – Valeu Robson pelo espaço e parabéns pela iniciativa do blog “The Same New”. E para as pessoas que vão ler a entrevista, queria muito conseguir me expressar e falar da importância dessa comunidade, dessa rede de trocas, musica, informação, sentimento, resistência e indignação, se não pensarmos juntos, construirmos juntos, nos apoiar, isso tudo um dia acaba… Fazer isso forte é o que temos que ter em mente.

TSN – E pra quem ainda não escutou o Tuna, por favor.

Tuna – O Mudo Mundo Com a Nossa Voz (2011) – download

http://tunapunkrock.com

The Altars

Eu devo admitir que fiquei muito impressionado com essa banda desde a primeira vez que escutei, e não demorou muito pra que eu quisesse adquirir algum material dos caras; de Austin, os Texanos do The Altars.
Já haviam dito isso e eu tenho que concordar, pode até ser exagero meu, mas se você escutar o som dos caras com cuidado pode lembrar bastante em alguns momentos o Articles of Faith, musicalmente, politicamente e até emocionalmente, não tão rápido, obviamente e com diferenças no vocal que é bem mais cantado que gritado, mas como comparações entre bandas de épocas diferentes são quase que inevitáveis fica mais uma pra registro. Ótimas letras, bateria certeira e guitarras empolgantes caracterizam a particularidade impar do punk cataclísmico dessa banda, sem exageros, o bagulho é bom mesmo e eu digo sem pestanejar que foi uma das bandas mais legais que eu escutei essa ano, se não a mais legal até agora.

The Altars | Austin – Texas

A banda foi formada no final de 2007 após o fim do Storm the Tower ( banda anterior de Chris Pfeiffer), então com Chris Pfeiffer – guitarra e vocal, Javi Guerra – guitarra, Worrel Logan – baixo e Baías Brett – bateria,  a banda começou a fazer seus primeiros shows na primavera de 2008, logo em seguida no mesmo ano gravou uma demo que por ter uma boa qualidade e por mostrar de cara o potencial da banda, acabou sendo lançada como um 12″ pela Adelante Discos. em 2009 Javi saiu da banda deixando a guitarra para Matt Badenhop que já havia tocado no Sacred Shock e no Deskonocidos e foi quando a banda começou a fazer mais shows fora da cidade e a trabalhar um provável material novo.

Em 2009 tanto Matt como Logan acabam mudando de cidade e consequentemente tiveram que deixar a banda, é quando Jasmine Mayberry (ex Signal Lost) assume o baixo, e a guitarra cai nas mãos de Kyle Young fechando a atual e até então mais sólida formação da banda. Segundo os próprios caras do Altars em breve sai material novo que será lançado pela Adelante Discos em parceria com a Sabotage Records seguido de uma tour que eu particularmente espero muito passar pelo Brasil. então vamo aguardar que provavelmente vem coisa boa por aí.

The Altars | Beer Land | Austin – Texas (foto por: ? )

Quem ainda não escutou, faça um favor a sí mesmo, baixe, escute, divirta-se, e se gostar compre o material dos caras e apoie a banda que não dá pra ficar só no mp3.

The Altars – s/t (2008) – download

Chicken’s Call

E aproveitando o clima e a melodia do post passado, eu resolvi postar algo desse trio que assim como as bandas citadas anteriormente, faz um hardcore melódico de ótima qualidade, politizado, com boas letras, arranjos relativamente simples mas que cumprem seu papel tão bem ou até melhor do que uma pá de bandas por aí que toca meio milhão de notas em uma única música e não tem nada a dizer, simplificando, gosto pra cacete e a banda é no mínimo animal. Senhoras e senhores, direto de Grenoble – França… Chicken’s Call.

Chicken’s Call | Soap Box Club | Nancy – França (foto por: saïmonn)

 Eu lembro que até um tempo atrás era bem difícil conseguir material dos caras, mesmo na internet, mas depois de procurar com uma certa paciência eu consegui um 10″ deles lançado em 2007 chamado  “Maintenant Ou Jamais” que só tem 4 sons mas já mostra a potencia que a banda carrega em vários aspectos, e pra quem não sabe os caras são realmente engajados com uma série de projetos, redes de ocupações, infoshops e todo o tipo de ação DIY em vários lugares da Europa, deram as caras pela primeira vez no Brasil em 2008 e esse ano fizeram uma tour pela América Latina passando também por vários estados do Brasil (menos por Belém, pra variar), o poster a baixo contém o itinerário da tour.


Depois dessa segunda visita ao Brasil ficou mais fácil conseguir material dos caras, antes de colar por aqui os caras prepararam uma discografia com os melhores sons da banda (na minha opinião), e é este que com muito gosto compartilho com vocês, vale a pena conferir.

 Chicken’s Call – Discografia (2012) – download

Praying Hands | Ballast

Não sei se outras pessoas compartilham da mesma impressão, mas sempre me pareceu que o hardcore melódico brasileiro, em grande parte normalmente tende a cair pra algo mais “pop” por assim dizer, mesmo as bandas mais agressivas (salvo pouquíssimas) ou as bandas que tem uma proposta diferente das que optam por apenas falar sobre amor, ou sobre a velha temática adolescente de cada dia. Posso estar enganado, mas desde sei lá quando isso me pareceu uma farpa no calcanhar, e o que fazer pra driblar isso? frente a essa quase constante eu ocasionalmente procurei/procuro bandas que me despertassem alguma coisa além do… “legal essa banda aê, mas nada demais”. Pois é, não tem nada haver com aquele velho papo de “o que vem de fora é na maioria das vezes melhor ou mais atraente” o que na real não passa de um complexo medíocre de país colonizado, mas fazer o que? Acha ruim, escute MPB. Então, dentre as poucas bandas de hardcore melódico que eu realmente gosto e paro pra escutar o Praying Hands tá entre as bandas do topo da lista, até por que antes de gostar do PH eu já achava o Ballast (banda anterior dos integrantes) animal.

blá blá blá a parte…

Praying Hands | Varning Night | Canadá – Montral

 Antes de se chamar Praying Hands a banda se chamava Ballast, que por sua vez surgiu em 2001 no Canadá, mais precisamente em Vancouver, Ballast surgiu de uma outra banda punk de Montreal chamada The Tabernaks, que acabou quando três integrantes – Spoke, Adam e Steve – decidiram se mudar para Vancouver, em 2000. Em Vancouver, eles conheceram o baterista Dave Spicer, e então formaram a banda, primeiramente com o nome “Brother Twelve”. Após terem tocado em alguns shows locais, mudaram o nome da banda para Ballast. Resumindo, Ballast acabou e seus integrantes remanescentes formaram o Praying Hands, que Lançou em 2009 o disco entitulado “Through The Dark”, na minha opinião, um dos melhores discos do gênero de 2009, e digo mais, você que ainda acha que Nofx é a banda “mais mais” do gênero melódico… por favor, eu peço, atualize-se, os anos 90 passaram, e atualmente tem muita coisa ótima que não fica nem um pouco atrás dos clássicos particulares de ninguém. bom fica aê então o Praying Hands e o ultimo disco do Ballast a quem interessar.

Ballast |Confino Squat – Canadá

Ballast – Fuse (2006) – download

Praying Hands – Through The Dark (2009) – download

Vjölenza (demo) 2012

Vjölenza (icoarací attack) | foto por: Robson Siqueira

Vjölenza (icoarací attack) | foto por: Robson Siqueira

Nos últimos anos Belém tem se tornado celeiro de ótimas bandas, depois de um longo período sem nada muito novo, uma nova safra de desajustados vem dando as caras em shows e produzindo algo interessante dentro do punk, e no meio de toda essa onda de novidade ou reciclagem também surge o Vjölenza que particularmente me chamou a atenção desde o primeiro show, com ex integrantes do Escárnio e Pelos ares, dispensando baixista, o trio vem se destacando dentre várias outras bandas da região sem ficar devendo em nada pra ninguém. Mas falando da demo, são 3 sons muito bem tocados, pelhatadas velozes, bumbo super sônico, guitarra, bateria e voz com rapidez e técnica desafiadoras, de alguma forma me lembrou muito o Needles do Martin Crudo (los crudos/limp wrist), a gravação tá legal, os caras conseguiram combinar velocidade com um certo peso sem que a coisa ficasse embolada, dá pra saber quase exatamente o que cada instrumento tá fazendo, obviamente comparações com o Escárnio provavelmente serão uma constante mas sem dúvida, salvo pelas letras que trazem a mesma proposta de certa forma, se trata de algo bem mais elaborado e criativo. quem gosta de coisa rápida, bem tocada e curte coisa nova feita por gente velha é prato cheio, Recomendo.

baixe a demo aqui.
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