The Same New | Fuck on the beach PROMO!

Nota

 

I WANT FUCK ON THE BEACH !!!

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Tá afim de ganhar um LP dos japoneses do “Fuck on the beach”? fácil!

vide regulamento.

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Para participar siga as instruções abaixo:

1º passo – curtir a página do The Same New no facebook.

2º passo – Vá em “promoções”, clique em quero participar.

3º passo – compartilhar o link com o vídeo e a frase “i want Fuck on the beach!” e pronto.

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O resultado do sorteio sai no dia 13/07/12 às 17:00h, então é fazer figa e esperar pra aterrorizar o sossego da sua vizinha com esse lindo LP.

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obs:

1 – Caso você, por qualquer motivo não realize qualquer das 3 ações citadas a cima, você não receberá o disco, mesmo se sorteado, sendo assim realizado novo sorteio.

2 – Se você já curtiu a página do The Same New, desconsidere o 2º passo do regulamento.

3 – Pessoas de fora de Belém também podem participar… Em caso de você ser sorteado, basta deixar na pagina do The Same New no facebook: NOME – ENDEREÇO – CEP.

– no prazo de 1 semana o LP será enviado à você.

boa sorte!

Signal Lost

Eu meio que tava tentando não falar sobre essa banda por já te-la abordado em posts passados, mas escutando um desses dias em casa eu percebi que definitivamente não tem como não falar de uma banda tão boa, tão importante pro punk atual (na minha opinião) e tão pouco conhecida ou ignorada no Brasil. Então, direto ao ponto, sem enrolações extras, mais uma banda texana que dá as caras por aqui, também de Austin, Signal Lost.

Junte o Arctic Flowers do (Já figurinha carimbada do punk) Stan e o The Altas da Jasmine Mayberry e o que temos é Signal Lost certo? …ERRADO! apesar dos dois terem tocado no Signal Lost, a mesma tem muito pouco ou quase nada das duas bandas citadas, é claro que a sonoridade das 3 bandas pode coincidir em algum momento, vamos considerar que estamos falando de punk, ninguém está livre de comparações por mais inoportunas que as vezes elas sejam; porém é só isso, e mais nada.

Riffs carregados de uma sutileza que provavelmente acaba denunciando a presença de Stan na banda, acompanhada de uma pagada que extrapola os “cânones” do hardcore/punk melódico como o conhecemos, chegando até a deixar escapar alguns resquícios de pós punk 80’s na sonoridade, o que não chega a ser algo surpreendente pra falar a verdade, .

Pois bem, o quarteto texano surgiu em 2003 com integrantes de bandas como Deaththreat, Balance of Terror, Severed Head of State e J-Church, tinha como não sair coisa boa disso?

Sem dúvida, o imediatismo com que as letras muitas das vezes mau humoradas e obscuras (traços marcantes do Peace Punk inglês dos anos 80 munido de qualidade similar as bandas polonesas Dezerter e Post Regiment), te fazem criar uma simpatia instantânea pela banda, é impressionante, eu não consigo escutar o “Children of the wasteland” (2004) ou o “You’ll never get us down again” (2005) menos de 2 vezes seguidas, e em tempos de MP3, musica fácil, mastigável e descartável, vamos admitir que não é qualquer banda que consegue esse feito, de fato.

Então em 2007 vem o “Prosthetic Screams” que sem dúvida é o melhor e mais maduro registro da banda, superando os lançamentos anteriores em vários sentidos; se antes o Signal Lost era uma banda considerada “inexpressiva”, “Prosthetic Screams” vem pra consolidar de vez a qualidade e o potencial múltiplo que o quarteto possui, com 10 musicas cativantes e alguns daqueles hits que voluntariamente não saem da cabeça, eu diria que é um disco quase obrigatório para os amantes do gênero.

Justiça seja feita, eu tenho que dar destaque á Ashley, a vocalista, é um caso a parte, a energia e melodias agressivas com que os vocais apaixonantes eram feitos, sem dúvida é algo que pode definir a identidade da banda em 60% diria eu, não tem como escutar “Terminal” ou “Second Voice” sem notar a potencia que o vocal de Ashley possui em toda a sua personalidade, não há duvidas, ela entraria fácil em um “top 10 melhores vocais femininos do punk“, e ao contrário do que eu já escutei ou li inúmeras vezes, não tem dessa de menções a new wave e “seria legal acompanhado de uns teclados” nos vocais dela, apesar de “Ghost Dance“, musica que fecha o “side B” do “Prosthetic Screams” possuir um tecladinho bem discreto em alguns trechos, é obvio que não dá pra defini-lo por um conjunto de efeitos, a coisa toda está bem além disso.

Em 2007 após o lançamento do split 7″ EP com os japoneses do Protess que foi lançado pelos selos HGFact (Japão), 540 (Estados Unidos) e Stonehenge Records (França), a banda acabou mas deixou um legado considerável com 5 registros, sendo uma K7 demo auto intitulada em 2003, dois LPs/CDs, “Children of wasteland” e “Prosthetic screams” (Prank Records), um EP em 2005 chamado “You’ll never get us down again” Prank Records (EUA), Trujaca Fala (Polônia) e Communichaos Records (Suécia), uma tour européia de 5 semanas, várias turnês nos EUA, México por aí vai.

 Dito tudo isso, só me resta repetir o que os próprios diziam… Dance music for old punks… your girlfriend would like it!! …Divirta-se!

Signal Lost – Prosthetic Screams (2007) – download 

Xaxaxa

Junte Rites of spring, Fugazi, Hüsker-dü e Wipers sem esquecer a atemporalidade dessas bandas, e o que você vai ter é exatamente uma viagem de volta aos excelentes arranjos e a musicalidade impar dos anos 80 feita em Washington, vale ressaltar que não trata-se de uma cópia das bandas de 86 (Revolution Summer), e sim de um resgate do que talvez, de melhor tenha ficado no tempo.

Da cidade de Skopje – Macedônia, Xaxaxa.

O trio conta com Vasko Atanasoski – guitarra e vocal, Nenad Trifunovski – baixo e Dzano Kuch – bateria, também membros do já conhecido Bernays Propaganda que em sua formação, além dos três integrantes citados, conta com a vocalista Kristina Gorovska. E pra deixar a coisa mais séria, além das inúmeras e intermináveis turnês que a banda tem feito pela Europa com o Berneys Propaganda, os caras acabaram ganhando grande reconhecimento  após o muito bem falado LP “Tango Revolucioner”, lançado pela Moonlee Records, que por sua vez teve uma faixa do disco mixada pelo Mark Heaney que fez uma graça com o Gang of Four.

“Tango Revolucioner” contem 10 excelentes músicas cantadas em macedônico, o que de forma alguma afeta a musicalidade da banda, dando até um toque mais charmoso às musicas na minha opinião. Ótimas letras, todas compostas pelo guitarrista e vocalista Vasko que inspirado pelo poeta macedônico Kosta Solev Racin, não reluta em dizer que busca referencias em trechos das obras de Racin para compor, abordando temas como falsos valores, vaidade, lideres incompetentes e uma série assuntos de relevância atual.

O disco foi gravado totalmente ao vivo entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2011, também foi produzido pelo próprio baixista Nenad, a arte da capa foi feita pela vocalista do Bernays Propaganda, Kristina Gorovska e além do lançamento em LP o disco também saiu em CD, lançado em parceria com os selos Pruegelprinz Records, Trashbastard Records, Napravi Zaedno e Doomtown Records.

Então é isso, se você não conhecia a banda, conheça, escute, absorva algo, sinta alguma coisa, vale MUITO a pena conferir, se assim como eu você também gosta de post punk, letras sinceras e de certa forma despretensiosas, ligadas a melodias carregadas de sentimento, com certeza serão 38 minutos muito bem gastos e sem risco de arrependimento. Divirta-se!

Xaxaxa – Tango Revolucioner (2011) – download

Homem Elefante & Ameaça Cigana – split

E pra quem reclamou que eu só resenho disco velho, o que não é totalmente verdade pois a alguns dias atrás eu lembro de ter convertido, subido, resenhado e disponibilizado pra download um LP recém lançado do Criminal Code, mas de qualquer jeito, pra quem quer mais coisa nova, aí vai com muito prazer.

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 HOMEM ELEFANTE

Punk raivoso com batidas em parte dançantes e guitarras Germnianas, no melhor sentido da expressão, banda de volta redonda, relativamente nova que chegou como quem não quer nada e depois de sair em um 5 way com Velho, Renegades of Punk, Ornitorrincos e Estudantes, fez muita gente sentir cheiro de raiva e ansiedade pro que viria depois.  Esse ano a banda lança mais um registro com 7 sons lindezas no side-A deste ótimo vinil 12” que saiu no Brasil pela famosa Läjä do Espirito Santo em parceria com Rock mutante e Raw, ambas de Brasília. Pra quem ainda não escutou, os caras fizeram a grande gentileza de disponibilizar as 7 faixas da banda contidas no Split pelo soundcloud. Bateu a curiosidade, escuta e depois é só correr pro abraço.

myspace

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 AMEAÇA CIGANA

Eu tenho que reconhecer que fazia um tempo que eu não escutava “hardcore mais rápido”, e dá pra dizer que passado um tempinho é muito bom escutar algo que de certa forma não te lembra (ao menos não logo de cara) algo que já foi feito mais especificamente, obviamente tem cara de hardcore americano 80’s mas fica por aí, o que na minha opinião é ótimo por mais absurdo que pareça. No side-B, que abre com uma música intitulada Ameaça Cigana, temos 10 sons… eu diria que, sujo, ácido e direto talvez seja a melhor forma de descrever os sons desse quarteto Brasiliense, certamente foi uma das coisas “Brazucas” mais legais que eu escutei esse ano, e como se não bastasse a coisa ser boa por si só, os caras ainda fecham o disco com um cover bonito dos americanos do Poison Idea. Quer mais o que?

myspace

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2 ótimas bandas, arte excelente, 5 cores de vinil e 4 cores de capas diferentes, não é sempre que tem esses lançamentos legais e pra você que é colecionador consumista (como eu) ouvi dizer que já tem pouquíssimas cópias, depois que acabar e tiver gente vendendo o olho da cara no ebay ou seja lá onde for não adianta chorar. Só um toque.

Homem Elefante & Ameaça Cigana – split (2012) – buy it

Imagem

Entrevista Metade Melhor

Em 2011, membros de bandas como Futuro, Speed Kills, Still Strong, La Revancha, Ideocrime e Vítima, resolvem fazer algo influenciado por Jawbreaker e bandas da SST, Dischord e Subpop, mas sem muito cunho político de certa forma. O resultado não poderia ser outro. Confiram o papo que rolou com Xavero (guitarra e voz) e Xopô (guitarra e voz) na madrugada de 2 de Junho de 2012. Divirtam-se!

TSN – A mais ou menos 5 ou 6 anos atrás eu fiz uma entrevista com o La Revancha pra um zine que eu escrevia na época, se não me engano a entrevista rolou no mesmo período em que vocês tocaram no programa do gordo. A entrevista nunca chegou nas mãos de vocês e nem nas mãos das outras bandas por que eu não cheguei a lançar o zine por algum motivo que eu não lembro, até hoje tem uma pilha daquele zine lá em casa, deve ter uns 200, e hoje cá estamos nós de novo, outra banda, outra entrevista mas dessa vez sai o bagulho… Então papo furado a parte, Xopô e Xavero, vocês que tocam em um monte de banda bagaceira, por que montar uma banda como o Metade Melhor?

Xavero – Isso, você chegou no ponto certo, eu sempre toquei em banda bagaceira, hardcore rápido, pesado e etc. Só que nesse meio tempo eu sempre escutei esse tipo de som mais na manha, acho que o mesmo caso o Xopô, porém isso começou a me tocar mais nos últimos tempos, senti a necessidade de escrever músicas sobre o que eu pensava, desde lances pessoais e tal, colocar pra fora, isso saia fácil no violão ou na guitarra desligada, ai juntou com as bandas que eu estava ouvindo demais na época, Jawbreaker, Hüsker dü e toda a escola Sst, Dischord, muita coisa grunge da Subpop, ai acabei montando a banda nessa vibe mesmo, mas sempre tive a preocupação de não soar hardcore melódico, não soar brega sabe? Ser uma parada intensa sempre foi o primeiro proposito pra mim.

Xopô – Pô, vira e mexe eu penso sobre isso também. Durante um certo tempo eu tive bastante receio de começar a curtir bandas mais melódicas porque achei que nunca mais voltaria a escutar coisas mais pesadas. E bom, não foi o caso, eu continuo pirando demais em hardcore, independente da vertente, mas mesmo que isso tivesse acontecido, pra mim a necessidade de fazer algo mais “trabalhado”, digamos assim, também surgiu. E não é só isso; acho que tava na hora de conhecer mais sobre música mesmo… abranger mais e tal. Sei lá, eu não acho que essa linha melódica/grunge/indie é uma evolução ou algum tipo de regresso musical; simplesmente deu vontade, e achei que desacreditar dela não valeria a pena!

Metade Melhor | Matinê Punk | São Paulo (Foto por: Mateus Mondini)

TSN – Eu sei que o xopô não faz parte da banda desde a primeira formação por que ele me contou á algum tempo, como foi que ele entrou na banda? Depois que ele entrou mudou algo? Aceito as duas versões da historia.

Xopô – Xavero começa! (risos)

Xavero – (risos) Isso, a primeira formação era um trio, Alemão, Mila e eu, na tentativa de ser um Jawbreaker tupiniquim, as bases, a gente fez nessa formação, até rolava legal nos ensaios, mas depois do primeiro show foi batata, senti falta de outra guitarra, sempre falava isso pro Alemão, pois a coisa tava ficando muito punk rock e simples demais. A ideia da banda não era fazer algo total trabalhando, mas também nunca quis ser só punk rock, era sempre um pé na Dischord e outro na Subpop sei lá, sempre mesclando isso, queria deixar o som mais gordinho, se é que me entende. Eu já havia comentado sobre a banda com o Xopô, ele como sempre foi meu amigo, o primeiro show ele tava presente, passado um tempo ele comentou comigo que estava com um projeto mais melódico e tal, que iria cantar, chegou a me mandar uma música, na hora eu curti demais, comentei com o Alemão e com a Mila sobre chamar ele, todo mundo curtiu a ideia, já tinha comentado com ele por cima, ele curtiu muito, no primeiro ensaio ele já chegou com as músicas todas na base e cheio de ideias. O fato é que a entrada dele somou muito com a banda, tanto musicalmente quanto no animo, um cara que entra pra somar e tocar, não apenas tocar.

Xopô – Pô, eu vi a banda surgindo, quase. Acho que fui um dos primeiros a comentar sobre os vídeos dos ensaios que a Mila postava no youtube e pouco tempo depois o Xavero tava me pedindo opinião sobre as musicas também, foi tudo muito junto. Eu acho o Metade uma banda autêntica e quando eu entrei, percebi que todo mundo tava nessa vibe de acrescentar no som tudo que fosse possível pra complementar a ideia. Isso que o Xavero falou é crucial, a parada tem que funcionar pra somar, e sinto que todos estão fazendo o que podem da melhor maneira possível; isso dá um ânimo absurdo.

TSN – Eu lembro que quando estive em SP no início do ano, o Xopô comentou comigo sobre os primeiros ensaios que ele tava fazendo com uma banda nova junto com o Alemão, Xavero e tudo mais, perguntei como chamava a banda, e ele disse “o nome é Metade Melhor” achei animal o nome, mas logo de cara nem me liguei, outro dia em casa tava escutando o disco do One Last Wish e me toquei que tem uma musica deles chamada “My better half”, me senti o sherlock holmes por achar ter descoberto de onde tinha saído o nome da banda… Então eu pergunto, o nome veio daí mesmo? Se não, de onde veio?

Xavero  – Quaaase!

Xopô – Caraleo, você foi ainda mais longe!

Xavero – o nome veio da música “Better Half” do Jawbreaker, depois de pensar em vários nomes, esse foi o mais legal e como a gente canta em português, rolou esse.

Metade Melhor | Enfin Festa #2 | São Paulo (Foto por: Vitor Fiacadori)

TSN – Então passei raspando, mesmo tendo ignorado o óbvio (risos). Mas então, por que em português e não em inglês, considerando que a maioria das bandas nessa linha geralmente opta por cantar em inglês?

Xavero –  Pô, porque minha maior inspiração pra fazer esse tipo de som é meu brother Carlinhos, que sempre me ajudou em tudo desde quando montei a banda, até letra a gente escreveu junto, recentemente ele fez uma base e me mandou até. Againe e Polara são os grandes exemplos pra mim que se pode escrever em português, falar de coisas pessoas, com seriedade, intensidade sem soar brega.

Xopô – As palavras dele são as minhas, sem saída nessa! (risos)

TSN – Fora as bandas dos anos 80 e 90, eu admito que não conheço muitas bandas atuais que sigam a mesma linha de som de vocês (pra não dizer nenhuma), salvo o Jersey Killer da argentina que tem algo bem parecido. Em SP, tirando o Againe que voltou recentemente, tem outras bandas que de repente tem uma proposta ou mesmo só a sonoridade similar?

Xavero – Cara, que tem o cunho mais puxado pro punk rock eu não conheço. Eu posso citar o Twinpines, mas é a galera mais guitar e tal, mas que toca o som na nossa pegada, acho que Againe mesmo, sei lá.

Xopô – Eu vejo um identificação com a galera de fora do punk também, não sei porque. O lado bom disso é que as bandas similares não são, necessariamente, tão parecidas com a gente; cada uma tem uma identificação bem bacana. Bom, de exemplos que me vem à cabeça; Twinpines, Single Parents, Fire Driven, Againe, The Alchemists, O Inimigo, Futuro, Doppelgangers e por aí vai.

TSN – O contraste musical chega a ser um problema pra tocar, levando em conta que a maioria dos shows são compostos em maior parte por bandas rápidas e mais agressivas, ou em São Paulo já existe atualmente uma cena mais “punk rock” 00’s (digamos assim)?

Xavero – Na real tem uma cena melódica aqui em SP, que aceita bem esse tipo de som. O fato da gente sempre ter sido envolvido com essa pegada de som mais suja, ter contato com a cena sxe, essa galera acaba curtindo ou se aproximando mais, pelo contato que tem com a gente. Aqui em SP estão surgindo mais espaços pra show assim, tem o S/A em pinheiros que abre espaço para as bandas do nosso estilo, tocamos lá a um tempinho, show foi ótimo, só tocou a gente, mas foi divertido demais, colou mó galera diferete. Tem algumas bandas mais na manha, mas que seguem outra lin ha, que nós acabamos tocando juntos como rolou na matinê punk rock do Pedro, Gato Pardo e tal. Acho que existe bastante gente que gosta desse tipo de som, mas essas pessoas ainda não participam de cena.

TSN – Aproveitando o gancho, já que todos os integrantes da banda são straight edge(s), vocês abordam algo relacionado a isso nas letras ou deixam essa postura em evidencia de alguma maneira dentro do Metade Melhor?

Xavero – De outra maneira, pelo menos por mim eu não pretendo levantar uma bandeira de sxe com a banda, é um lance pessoal que é muito importante pra todos os integrantes, as vezes de forma subliminar a gente possa expor isso em alguma letra, marcando a mão com X nos shows, mas não assumindo uma postura de banda sxe, pois não tenho pretensão em propagar esse tipo de mensagem com o Metade Melhor, rola uma liberdade, mas esse não é o foco.

Xopô – É bem por aí mesmo. Todo mundo da banda é vegan e straight edge, mas a gente compartilha isso de uma forma meio individual; é mais uma questão de afinidade do que qualquer outra coisa, nem sei dizer se isso afeta em algo nas composições… creio que não. Aliás, pelo menos nesse momento sinto que deixar de levantar essas bandeiras não vai mudar em nada nosso caráter, e ainda sim o que estamos compondo não vai deixar, sei lá, de ser sincero, saca? Talvez seja até mais… “falamos disso outra hora, e se der na telha!”  (risos)

TSN – Ainda sobre o assunto, em poucas palavras, como vocês veem o straight edge atualmente?

Xavero – Vejo ele separado infelizmente, eu acabo percorrendo por vários lados, mas vejo que as pessoas continuam colocando barreiras musicais e estéticas no sxe, mas posso dizer uma coisa, está melhorando, a uns anos era pior, pelo que eu tenho visto na cena, tende a melhorar, espero que o sxe volte a ser algo com que as pessoas se importem e queriam levar essa ideia em frente.

Xopô – Eu vejo o sxe como algo cada vez mais separado, também. Não sei dizer se isso tem acontecido pela criação de muitas barreiras musicais e estéticas ou pela quebra das que já existiam. Isso é meio confuso pra mim, fico encafifado toda vez que tento esclarecer isso na minha cabeça, sei lá, não consigo achar uma resposta sólida. Talvez isso seja bom; pelo menos no que diz respeito a São Paulo, eu vejo a cena sxe como algo maduro, onde as pessoas se juntam para falar sobre as afinidades que tem, e eu acho que é assim que tem que ser, sendo bem realista. Afinidades que tem, não necessariamente vidradas na ideia de que “não beber é legal”, saca?!

Metade Melhor | D.I.Y. Fest | São Paulo (Foto por: Wander William)

TSN – Disco, por que ainda não lançaram nada? Pretendem lançar algo quando?

Xavero – Disco, pô, a gente já tem as músicas prontas, esse ano a gente já lança, vamos marcar estúdio o quanto antes.

TSN – alguma previsão?

Xavero – 2012 (risos)

TSN – (risos)

Xopô – (risos)

TSN – boa

Xavero – Pô, eu vou pra Europa em agosto, quero gravar em julho no máximo sei lá, depende dos compromissos de todos.

TSN – Pra fechar, queria agradecer demais a vocês pela entrevista, demorou mais saiu mesmo que aos trancos e barrancos e ainda assim foi classe A, espero poder voltar logo por aí pra dar aqueles rolês maneiros de trupie com o Xopô e Esbarrar com o Xavero na Paulista. Força no Metade Melhor. Agora fica aquele veeelho, porém clássico espaço pra vocês dizerem o que quiserem, mandem brasa.

Xavero – Arte, música, barulho, qualquer tipo de manifestação sincera e que tem envolvimento com contra cultura é valida, vamos ter mais raiva, falar de dentro mesmo, colocar mais intensidade pra fora, espero que as pessoas valorizem isso cada vez mais fora e dentro do nosso circuito. O hardcore é o lugar onde você pode ser você mesmo, então vamos jogar limpo com o que nos temos, usar isso de forma positiva, sem ambições sabe? Tentando mudar alguma coisa, mesmo que seja você, valeu o espaço Robson, muito obrigado pela oportunidade, sempre sxe.

Xopô – Puts, as palavras do Xava são as minhas também. O que propomos é: pegue toda a sua raiva de espírito, bote o máximo que conseguir dela para fora e da maneira mais sincera possível e “voilá”; é nesse pé que estamos…dê um flex your head nas ideias e deixe um pouco de lado a abstração cotidiana, afinal nós não fazemos parte de uma cena perfeita, cometemos erros e convivemos com pessoas imperfeitas, mas estamos vivos e sendo nós mesmos. Incentivamos a todos que estiverem lendo que façam o mesmo; é preciso primeiro se (re)conhecer pra depois poder evoluir.

TSN – E enquanto os caras não lançam nada, ficam 2 videos da banda pra conferir e ficar na expectativa do disco.

Belgrado

Pense no início da depressão pós-punk polonês, mas com um toque dançável, nada mais nada menos. Direto dos subúrbios de Barcelona surge esta que, assim como várias bandas que apareceram na Espanha nos últimos 3 anos também não deixa nada a desejar para os amantes do estilo. Influenciados por Siouxsie And The Banshees, 1919, Killing Joke e Skeletal Family como eles mesmos dizem, Belgrado é mais uma das “novas” bandas do punk obscuro saídas do útero do Warsaw/Joy Division e eu devo adimitir que isso muito me agrada.

Belgrado | Barcelona – Espanha

Tirando o fato de a banda ter um vocal feminino, o baixo em evidencia e as guitarras ecoadas fazem uma combinação perfeita que de certa forma me lembra bastante os americanos do Wipers em alguns momentos, em termos gerais pra quem tá ligado e gosta das bandas do “novo pós-punk” é prato cheio e sem arrependimentos certamente.

A banda, que contém integrantes do Jauria, Infame, Drömdead, Los Dolares, Etacarinae, Alerta Alerta!, Miraz e por aí vai, fez no ano passado uma tour pela Europa de 35 shows em 35 cidades diferentes, que durou de 12 de Maio a 19 de Junho e haja fôlego, coisas que o punk proporciona como nada mais. No mesmo ano saiu o LP auto intitulado do quarteto que contém 10 musicas de qualidade inquestionável, destaques para “Dead Generation” e “Zapomnijmy”, ambas no Side B do album.

Então sem mais delongas fica aí esse excelente album de 2011 lançado pelos selos Discos Enfermos, Static Age e Oficyna Paranoja, que deu o que falar, infelizmente não no Brasil ao que tudo indica, mas nada com que nós já não estejamos acostumados. Divirtam-se.

Belgrado – s/t (2011) – download