Entrevista Futuro

TSN – Pedro, conta aê, de onde surgiu a ideia de montar o até então B.U.S.H./Futuro?

PEDRO – Bom, toda entrevista eu conto isso, então peço desculpas para quem já leu essa história antes.

TSN – Manda ver aí.

PEDRO – Foi assim: em 2003 o Kalota e o Daniel do Discarga me chamaram para montar um projetozinho sem compromisso.  Na época o Juninho e o Nino do Discarga eram roadies do RDP e o Boka, batera do RDP, tocava no I Shot Cyrus, daí sempre que o Ratos estava ocupado a gente não podia tocar. A ideia então era algo para a gente poder fazer um som sem se preocupar com a agenda deles e também dar uma variada no som, e para ser um pouco diferente do Cyrus e do Discarga. A gente então só ensaiou algumas vezes e no final gravou o ensaio, a qualidade ficou um lixo, mas para poder lançar eu deixei tudo distorcido, estourando, porque aí pelo menos ficava extremo (Risos)…  Fizemos uns 20 CDR’s e foi isso…

Ah sim, o baterista era o Rodrigo, que hoje toca no Noala. E tipo, por causa desse barulho todo, a demo não representa bem o estilo da banda original. E muito menos o estilo que a gente seguiu depois, daí a gente parou e um ano depois decidimos voltar a banda, já com o Alemão tocando. Foi quando REALMENTE a coisa começou. Logo, a gente gravou 14 músicas num estúdio de verdade e desse material saíram nossa demo e os primeiros dois EPs.

TSN – Então originalmente o som era diferente do que saiu depois que vocês gravaram, inicialmente o som caía mais pra que?

PEDRO – Acho que as referências eram tipo Deep Wound, Neon Christ, começo do Gang Green, umas coisas bem rápidas mas não muito pesadas, manja? Uma ou outra guitarrinha mais Black Flag, etc… Mas por motivos técnicos a gravação fodeu com essa ideia e ficou parecendo Exclaim (Risos).

TSN – Mas e aí, vocês não gostaram do resultado? por que o New American Century, eu acho LINDO.

PEDRO – Não gostamos do resultado dessa primeira demo, mas isso ainda é 2003. O New American Century eu também acho lindo, mas é de 3 anos e duas gravações depois. Após essa primeira demo rolou a sessão de 2004 que gerou o primeiro EP e o split com o Dick Cheney. Em 2005 teve a segunda demo/split com o Bruce Banner. Só depois disso, em 2006 é que veio o New American

              Fotos por: Mateus Mondini

              Fotos por: Alex Almeida

TSN – Esse split com o Dick Cheney eu confesso que nem sabia da existência, mas eu esqueci completamente do split com o Bruce Banner mesmo. Sairam quantas cópias mais ou menos de cada split? E ainda é possível encontrar em algum buraco obscuro?

PEDRO – Pô, acho que dá para achar sim! O split com o Dick Cheney provavelmente é mais difícil. Acho que saíram 500 cópias de cada um. O primeiro, da 625 saiu nos top 10s da Maximum Rock And Roll e acho que por isso esgotou muito rápido.

TSN – B.U.S.H – buy us some heroin ou buscando um satânico homicida? qual é a real do nome original? (até rimou)

PEDRO – O nome na real era o presidente mesmo. A gente colocou sigla para não ser igual à banda Bush grunge horrível, daí ficávamos inventando esses nomes, tipo o que o MDC fazia: Millions Of Dead Cops, Millions Of Damn Christians e etc…

TSN – Uma coisa que me chama a atenção no som de vocês é a nítida (pra não dizer brutal) influência da década de 60, guitarra com fuzz, uns delay na voz e coisa e tal, isso tudo é proposital? as gravações eram pra sair com essa cara mesmo ou foi algo mais casual que de repente juntando uma coisa alí e outra aqui acabou resultando nesse aspecto cavernoso (no melhor sentido da expressão) dos 2 primeiros discos?.

PEDRO – Ah, foi proposital, com certeza. Depois dos primeiros EPs, que foram gravados sem muito recurso, a gente quis algo mais interessante em termos de som, já estávamos compondo umas músicas um pouco mais trampadas também e eu já tocava elas imaginando o som que teria mais a ver. Eu sempre curti muito esse lance de gravação, timbres e etc. Acho que isso é metade da graça de qualquer disco, e também sempre fui fanático por esse lado mais radical do rock da década de 60 e para mim fazia total sentido combinar essa sonoridade com o hardcore.

Se você escuta umas coisas como as produções do Phil Spector do início, rockabilly e blues dos estúdios da Sun Records e coisas do gênero, você entende a importância que essa aura sonora cria na nossa compreensão da música. Acho que a gravação certa potencializa muito a emoção que o disco vai induzir nas pessoas.

Mas os anos 60 não foram a única influência nessas gravações, se você ouve por exemplo as produções do Greg Sage, tanto no próprio Wipers como em outras bandas como Sado Nation, você vê que é uma referência, assim como um monte de coisa de punk e pós punk inglês do fim dos anos 70, os discos do Big Boys, enfim… é muita coisa, mas sim, resumindo, foi proposital, depois do approach “sequinho” a gente apelou para o lado contrário. Acho que isso virou parte da identidade da banda.

TSN – No duro, por sinal tem uma musica no MMX que eu acho total Nasty Facts, mas enfim, outro dia li uma resenha do ruivo se não me engano, não tenho certeza se era dele mesmo, mas era algo que dizia mais ou menos que vocês tinham conseguido o equilíbrio perfeito entre essa pegada mais 60, garage e o hardcore, eu também acho e concordo plenamente com isso, mas o que você acha disso? e se você também concorda, a partir de que disco você acha que isso ficou mais evidente e acabou  se consolidando como característica da banda?

PEDRO – (Risos) Nunca tinha ouvido falar de Nasty Facts, mas estou ouvindo aqui agora, Amei. Que música você acha que parece?

TSN – Não lembro agora o nome da musica, é uma meio alegrinha, alias, é a única musica alegrinha do MMX. (*a musica é Desespero Juvenil )

PEDRO – Mas voltando, acho que apesar da influência garage já existir desde o começo (vide músicas como “Hijos de Puta”), ela ficou mais evidente a partir do New American mesmo. Acho que é o disco mais “anos 60″ da gente no geral. Nesse disco a parte garage é muito garage e a parte hardcore é muito hardcore. Elas se misturam bastante, mas o disco vai bem para os dois extremos.

Já no “São Paulo”, acho que a coisa está mais homogênea, pegando uma cara mais própria e filtrando as influências de um jeito menos óbvio. Por exemplo, no New American você tem uma música como “Eu Não Sou Skate Punk”, que é ultra hardcore até de repente entrar a parte garage, que é obviamente tirada dessas coisas tipo Count 5 e Yardbirds. Já no “São Paulo”, rola um clima meio garageiro, mas é tudo meio que misturado, não dá tanto para dizer que tal parte é garage, tal parte é hardcore. Acho que já rola uma síntese ainda maior e no MMX e no novo EP essa tendência continua.

O MMX tem também uma influência maior de punk/pós punk inglês do fim dos 70, eu acho. Na real a gente sempre também bebeu muito dessa fonte Wire/Joy Division/etc…, mas talvez isso tenha ficado mais aparente. Mas é isso, a gente vai do punk ’66 ao hardcore dos anos 80 e de hoje numa boa e conforme a fase, a coisa pende para um lado ou para o outro, espero que a gente esteja cada vez fazendo algo mais próprio, seja lá qual for a influência.

  Foto por: Mateus Mondini

TSN – Eu INFELIZMENTE ainda não tive a oportunidade de escutar o EP novo inteiro, mas eu concordo quando tu diz que o MMX já tem umas influências de pós punk e tudo mais e por alto a impressão que eu tenho é que o MMX foi meio que um divisor de águas, musicalmente falando, isso tem haver com esse lance de explorar outras coisas mesmo ou foi uma “mudança” natural?

PEDRO – Acho que a mudança sonora no MMX foi natural… Mas olha só, se você voltar no New American, já tem umas músicas tipo Darby Crash, Pesadelo e Bush Klan 2 que têm esse lado pós punk bem evidente.

Mas enfim, sobre o MMX, tem duas coisas importantes aí: uma é que teve um hiato de 3 anos depois do São Paulo, o que é suficiente para o som mudar um pouco, e outra é que, a época em que o disco estava sendo feito foi muito tensa, tanto na banda, que teve problemas de formação, crises e tal, quanto no lado pessoal, acho que para todos nós. Uma coisa marcante foi a morte de um grande amigo nosso, que foi com a gente em turnê na Europa inclusive, o Jegão. Foi uma coisa que me abalou muito na época e que durante anos eu nem comentava em público, mas que tem uma influência óbvia no disco, tanto pela perda em si como pelo que a coisa toda significou simbolicamente, foi uma mudança de fase na vida, eu acho. Além disso, minha avó, que era como uma mãe para mim teve câncer e acabou morrendo também exatamente na época da gravação, isso sem contar outras coisas ruins menos brutais…

Foi uma época de zikzira extrema, resumindo. Todo mundo que ouve percebe que é um disco melancólico e cheio de tensões, e por mais feia que tenha sido a época, acho que o fato dessa angústia toda se expressar no disco dá um valor fodido para ele, toda vez que eu canto a música “Rumo Ao Fim”, eu lembro disso tudo e fico um pouco comovido, até hoje. Isso que eu falei é a minha parte da coisa. O resto da banda com certeza teve a sua própria experiência dessa época, seus próprios problemas e tensões. Estou falando só por mim aqui.

TSN – Bem foda ter acontecido tudo isso ao mesmo tempo, sabendo desse tipo de coisa acho que o clima meio down do disco fica até mais obvio. E “Rumo ao Fim” realmente é uma musica tocante de várias formas, mas aproveitando o gancho de você ter falado em problemas de formação e tudo… No EP novo sai o Kalota e a Mila assume os vocais, antes de a gente começar eu te perguntei se tinha algum problema falar sobre isso e você disse que não, então eu te pergunto, qual foi o motivo da saída do Kalota?

PEDRO – Não é nada muito interessante na verdade, (Risos)… O que rolou foi que o Kalota estava meio de saco cheio de ficar ensaiando e tocando por aí toda hora, de ter um compromisso com um monte de banda e fazia anos que ele falava que queria dar uma desacelerada. O fim do Cyrus já teve um pouco a ver com isso, inclusive. Daí a gente tinha acabado de lançar o disco e ele saiu para ficar só com o Inimigo, que estava para entrar em estúdio, cheio de planos e tal.

Com o B.U.S.H./Futuro o Kalota gravou um monte de disco e fez uma turnê na Europa, enquanto que o Inimigo fez muito pouca coisa nesses anos todos entre os dois álbuns deles. Agora é que eles estão mais ativos, vão fazer turnê e tal. Isso é compreensível, coitado do Kalota, teve época que ele teve 4 bandas ao mesmo tempo, não tem santo que aguente esse ritmo por tanto tempo. E não teve crise pessoal nenhuma, a gente está junto toda hora, toca juntos sempre, ele e o Alemão têm loja, etc… Foi uma saída 100% relax, a única coisa foi que por uns poucos meses a gente ficou meio na dúvida sobre o que fazer, mas rolou o mais óbvio e lógico que foi a entrada da Mila. Que, sem brincadeira, foi uma coisa que me deixou muito, muito feliz; salvou a banda e não só deu certo como acho que melhorou. Não pelo Kalota ser “pior”, obviamente, mas por criar novas possibilidades musicais e dar para a banda a oportunidade de ter uma pessoa mais empolgada novamente. Acho que ela trouxe consigo uma sensibilidade diferente que se encaixou perfeitamente ao caminho que a gente estava tomando já há algum tempo.

TSN – E como que foi a receptividade (de quem estava de fora) com relação a entrada da Mila na banda, rolou um estranhamento inicial ou foi natural?

PEDRO – Olha, não teve uma pessoa, que eu me lembre, que falou que achou pior. Muita gente gostou mais e comentou que a banda melhorou, e desde o primeiro ensaio eu já achei que seria assim. Novamente, não que estivesse ruim com o Kalota, pelo contrário, ele é o melhor vocalista de hardcore do Brasil junto com o Farofa, na minha opinião. Mas acho que por algum motivo o vocal dela encaixou como uma luva e acho que o Kalota é o primeiro a concordar com isso se você perguntar para ele, (Risos)… Aliás, quando ele saiu ele aconselhou a gente a pegar uma vocalista mulher, e se não fosse ela seria quem? Ou seja, acho que ele já sabia antes mesmo da gente que ela entraria na banda.

TSN – Além do vocal, outra coisa que mudou foi o nome, por que mudou, e por que Futuro?

PEDRO – O nome mudou porque a gente não gostava de B.U.S.H.. Nunca gostamos na real. Quando me chamaram para fazer a banda o Kalota e o Daniel já tinham inventado o nome, daí o Alemão entrou e acho que não teve a manha de pedir para trocar, (Risos)… Desde então a gente pensou em mudar algumas vezes, mas quando viu já tinha EP, LP, turnê e o diabo a quatro. Até que rolou esse hiato entre 2007 e 2010 e foi a oportunidade perfeita para mudar.

O nome Futuro veio de uma idéia do Kalota, ele sugeriu Future Days, que é um disco do Can, mas a gente queria nome em português e que não fosse referência de disco, música, etc… Daí eu sugeri Futuro e eles gostaram. A ideia é a mesma de “Future Days”, só que mantendo só a essência do significado mesmo, sem referências pop. Quer dizer o futuro mesmo, igual está no dicionário.

Foi meio proposital colocar um nome assim “concreto”, não sei qual é a visão do resto da banda sobre isso mas eu queria sair um pouco desses padrões de nome de banda de hardcore que são meio que só um exercício de estilo e forma, entende? Quis causar um certo estranhamento mesmo, porque acho que a coisa toda ficou confortável demais dentro desses padrões auto-referenciais, e na maioria dos casos são referências que olham para trás. Futuro é o contrário disso, é um conceito e uma imagem que a pessoa pode pensar de várias maneiras.

Também pode ser uma reação, sem querer, à gente ter ficado anos com um nome engraçadinho que a gente sentia que não representava a banda. Nós não queriamos ser uma banda irônica, mas acho que o nome passava um pouco essa ideia.

TSN – Pedro, você é um cara profundo. (Risos)

PEDRO – (Risos) Não sou muito profundo não, só dou explicações profundas.

TSN – Quando eu estive em São Paulo no inicio do ano, nós estávamos conversando e eu te disse que o Machete tentava imitar o B.U.S.H./Futuro (Risos), apesar de ser verdade mesmo, depois eu fiquei com uma puta vergonha, mas acontece; aí você disse: ah Robson mas vocês tem que imitar as bandas que a gente imita. Obviamente você estava falando das influências que vocês tem, quais são e, ainda são as mesmas do inicio da banda?

PEDRO – Porra, é foda, dá para ir de A a Z eu acho, a gente é muito nerd de som e curte muita coisa diferente. Eu já fiz riff pensando em coisas que vão de Crucifix a Smiths, mas acho que se eu fosse de verdade ensinar alguém a fazer o que a gente faz, a dica que eu daria seria mais ou menos o seguinte:

1- Absorva bem o punk californiano entre 1977 e 1981, incluindo aí coisas da Dangerhouse, Posh Boy, obviedades tipo X e Circle Jerks e etc….

2- Pegue o espírito do punk dos anos 60. Para isso ouça o máximo que puder de coletâneas Pebbles e Nuggets e escolha as 20 melhores músicas.

3- Ouça muito Wire e o primeiro EP do Joy Division, ou então pegue umas amostras de bandas dos anos 80 ligadas ao hardcore com referências do rock antigo e/ou meio pós-punks e faça uma versão meio manca. No caso, essas bandas seriam por exemplo Wipers, The Last, The Left, Husker Du, Meat Puppets, Salvation Army, Saccharine Trust, Dinosaur Jr, Minutemen e por aí vai… acho que esse tipo de coisa é o nosso ponto de partida sempre. Não para imitar exatamente o som mas para ter como inspiração, pela mentalidade.

TSN – A receita do futuro (sem trocadilho).

PEDRO – É, mas não quer dizer que a gente chegue aos pés dessas bandas… Ah, e agora tem muitas referências de bandas com vocal feminino, claro: X, Siouxsie & The Banshees, Avengers, Sado Nation, UXA, etc…

  Foto por: Mateus Mondini

TSN – Fala um pouco do EP novo, como foi fazer esse registro com a Mila e o que tá rendendo?

PEDRO – Foi muito legal gravar o EP novo. Eu adoro fazer música nova, acho que é a coisa mais legal de ter banda e rendeu muito bem com a Mila. Ela trouxe as letras dela, que ficaram muito fodas e encaixaram nas bases com perfeição, e no estúdio foi bem tranquilo, gravamos rapidinho e eu mixei em casa. Quem lançou foi o Alemão mesmo (Spicoli discos) e o nosso amigo Mateus Mondini (Nada Nada), que mandaram prensar nos EUA. Aliás, tá rolando distribuição por lá e na Europa também. A arte ficou bem legal, foi o Bá que fez e o Alemão imprimiu as capas em silk screen.

Ou seja, está tudo bem artesanal e muito bonito, por enquanto a gente ainda não fez muito alarde, mas logo mais vai rolar show na Verdurada e tal, vamos fazer mais propaganda e acho que mais gente vai pegar o disquinho.  Já tivemos respostas muito positivas, muita gente já disse que é o nosso lançamento favorito até agora, o que é sempre bom de ouvir. Agora estamos para gravar mais duas músicas novas, vamos ver no que dá!

TSN – Pra fechar, fala aí qual o futuro do Futuro, sem pretérito perfeito, o que está por vir se o mundo não acabar?

PEDRO – Agora a gente quer, antes de mais nada, continuar compondo sons novos e tocar o máximo possível pelo Brasil. Tem muito lugar onde a gente ainda não tocou, começando por Belém mesmo e pelo Nordeste. Vamos ver se agora a gente consegue chegar por aí!

TSN – Pedro, como já é de costume por aqui, queria te agradecer muito pela entrevista e por ter se prontificado de cara em fazer a parada acontecer, espero que as pessoas reconheçam mais o futuro (que na minha opinião é uma das melhores bandas de hardcore/punk do brasil), tomara que role uma tour e que passe por aqui também, gravem mais sons, façam mais shows e, consequentemente, a minha felicidade e a de quem curte a banda. Algum recado final pra quem lê aqui .

PEDRO – Fico feliz da música que a gente faz significar alguma coisa para as pessoas, é o que eu mais gosto de fazer e é muito bom poder falar sobre isso, não tenho nem o que dizer.

Espero que vocês leitores gostem e tirem alguma coisa do que a gente faz para vocês, quem quiser entre em contato com a gente: bushklan@gmail.com ou no facebook. É só procurar Futuro/B.u.s.h. e deixar seu recado.
Chame a gente para tocar na sua cidade, a gente só pode uma ajuda para o transporte, uma caminha e, se der, um lanche. E, acima de tudo, façam suas próprias bandas, não sigam regras só porque todo mundo segue e não tenham medo de gostar de qualquer tipo de música que fale a verdade e expresse sentimentos importantes.
Acho que é isso!

Futuro – MMX (2011) | Pratice Demos (2011) | 7″ EP (2012) – download

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Entrevista The Renegades of Punk

TSN – Então Daniela, antes de falar da banda eu gostaria que você falasse um pouco da cena de Aracaju, que imagino eu ser tão quente quanto Belém.

DANIELA – (Risos)  Total!  Em Aracaju até que temos algumas bandas, mas ultimamente os shows estão mais escassos, pessoas envolvidas mais escassas e lugares pra fazer os shows também. É um pouco estranho pra mim falar em “cena” como um todo, como muita gente faz quando se refere ao que anda acontecendo aqui em termos musicais, prefiro falar do nicho no qual estamos inseridos, ou seja, contracultura, punk, etc. Aí eu posso afirmar com bastante convicção que acontece pouca coisa mesmo. Existem bandas que ainda continuam tocando e produzindo, fazendo shows e tentando manter a chama acesa, mas cada vez menos o subterrâneo parece ser atraente para os que chegam. Muita energia e juventude são perdidas enquanto isso, com festivais de covers, por exemplo, mas alguns (poucos) malucos continuam nesse caminho. A Karne Krua, por exemplo, que está na ativa a mais ou menos 27 anos, é um exemplo e motivação pra gente que gosta disso mesmo e quer permanecer aqui.

TSN – Bem legal isso aí que você falou sobre nicho, acho que hoje em dia a palavra “cena” é muito mais usada pela facilidade de interpretação do termo, talvez por ser algo comum nesse meio… Mas me diz, como foi que vocês se envolveram com o hardcore/punk?

DANIELA – Acho que essa eu só posso responder por mim mesma. Eu comecei a ouvir pop/rock na minha pré-adolescência e comecei ouvindo o que estava no rádio, TV, ou o que era mais fácil de achar – via tios mais velhos ou amigos de escola. Progressivamente fui conhecendo bandas mais “pesadas” até que comecei a ouvir coisas como L7, Sex Pistols e Ramones. Nessa época eu já tocava uns três acordes e queria formar uma banda só de garotas com amigas de escola. A gente começou a tocar tendo como referência uma mistureba de sons e a banda rolou, começamos a tocar, conhecemos mais pessoas e depois, através desses novos amigos fui entrando mais no hardcore-punk; conhecendo bandas, zines, sites… Quando dei por mim eu já estava gritando numa banda de hardcore.

      Fotos por: Rafael Passos

TSN – Agora sim, sobre THE RENEGADES OF PUNK; do Triste fim de Rosilene que era uma banda supersônica, passando pelo xReverx que já tinha umas pegadas mais punk, até chegar no RENEGADES, como foi esse processo de decrescente velocidade mas de (na minha opinião) genialidade impar referente as 3 bandas?

DANIELA – Valeu pela “genialidade ímpar”! Em uma música da Renegades a gente fala que ficou mais velho e mais lento, e é verdade, mas este processo de desaceleração não foi, como em tudo o que fazemos, em nada proposital. Vivemos a Triste Fim de Rosilene de forma bem sincera e chegou um momento em que a banda acabou, não tinha mais como existir mesmo e foi algo que acho que assimilamos bem. Era algo intenso e bem sofrido até que chegou um momento em que aquele sofrimento deu lugar a outras formas de expressão. Antes da Triste Fim acabar, eu, Ivo e Alex (guitarrista da TFR) começamos a ficar brincando com os instrumentos dos outros no final dos ensaios, Alex continuou tocando guitarra e eu e Ivo fomos fazer algo que nunca tínhamos feito. A gente se divertia muito, ria muito e no primeiro dia em que isso rolou fizemos 4 ou 5 sons – eram simples e honestos. Achamos que podíamos mesmo virar uma banda e foi o que fizemos. Acho que a velocidade teve a ver com o que ouvíamos na época: muito L’amico di Martucci, Jellyroll Rockheads e punk rock clássico. Com o natural fim dessa banda, eu comecei a fazer uns sons, tinha um projeto de tocar com umas amigas (ideia fixa da minha vida! Risos) que ficaram engavetados porque a banda, obviamente não deu certo. Daí, Ivo e eu juntamos uma coisa que eu tinha aqui, ele outra que tinha ali e a Renegades of Punk nasceu. No momento o clima era outro e o som acabou refletindo isso. Foi uma época difícil pra gente em alguns sentidos e com relação a amizades e tretas locais. Daí a pegada acabou sendo mais lenta e mais rabugenta. Tem amigos que veem uma progressão nesse percurso, eu só consigo falar dessa progressão descrevendo os climas de cada época mesmo.

TSN – Uma curiosidade que sempre tive foi em relação ao nome da banda, realmente é uma tirada com o disco lá do Afrika Bambaataa & Soul Sonic Force “Renegades of Funk” (que a propósito, tem uma capa animal, a lá uncanny x-men) ou é só coincidência mesmo?

DANIELA – O nome veio do misto de um trocadilho com o nome do disco do Afrika Bambaataa e do sentimento que tínhamos nessa época estranha que comentei antes. A gente se sentia realmente renegado, daí fizemos uma brincadeira como sugestão pro nome da banda e ele acabou ficando mesmo.

TSN – Por que vocês se sentiam renegados? Era algo mais pessoal ou tinha haver com outras coisas que estavam acontecendo na época?

DANIELA – Era algo bem pessoal, mas tinha muito a ver com o entorno também. Chegou um momento em que não nos sentíamos conectados com nada à nossa volta, e olhe que pro hardcore local foi até uma época prolífica. Acontecia muita coisa, muita competição e muita treta, consequentemente; E a gente ficava meio enojado e afastado, cada vez mais, de tudo o que repudiávamos. De repente a gente não se encaixava mais em quase nada que víamos acontecer, sentimos por nós mesmos, e pela parte das outras pessoas, que éramos renegados.

The Renegades of Punk | Salvador – BA (Foto por: Fernando Gomes)

TSN – Sobre os registros da banda; dando uma recapitulada, em 2008 vocês lançaram uma demo que saiu pela “barulho de retardado”, em 2009 veio o split com o Mahatma Gangue que é outra banda que eu acho demais, em 2010 o Renegades saiu no “conspiração coração ao contrário” junto com Velho, Homem Elefante, Ornitorrincos e Estudantes, por fim ainda em 2010 saiu aquele EP do carrinho de super mercado pela Thrashbastard da Alemanha. como foi que rolou a oportunidade de lançar por um selo gringo? e como foi a experiência de ter lançado o primeiro material em vinil?

DANIELA – O Andréas já tinha lançado algumas bandas nacionais e dado role por aqui. Não sei exatamente como se deu o contato, foi com Ivo… Acredito que tenha sido via internet mesmo, Myspace. Ele curtiu a banda e conversamos sobre lançar algo, ele sugeriu lançar a demo em um 7’’ e achamos animal. Nossa, queríamos muito ter algo registrado em vinil, mas as condições por aqui não eram muito favoráveis, então o lance com o Trashbastard foi providencial (Risos). É um formato que curtimos demais e que virou uma micro-realização. Ainda queremos lançar coisas em 7’’ e 12’’, o problema, por enquanto, é só a logística da coisa, tem que rolar toda uma estratégia né!? Esperamos que role novamente em breve, com o nosso próximo lançamento.

TSN – Vocês já tocaram em São Paulo e mais pro centrão, geralmente as bandas mais daqui do Norte e Nordeste que vão pra lá dizem que é diferente, tanto com relação a estrutura quanto com relação a energia, socialização e várias outras coisas, você também teve essa impressão? ou é normal e não tem nada demais?

DANIELA – Nós tocamos pelo Nordeste e pelo Sudeste, e é sempre diferente. Em cada lugar que você vai é diferente, pra você ter uma ideia, sempre comento sobre como é, por exemplo, ir até Salvador (BA), é uma cidade num estado vizinho ao nosso, super perto, mas é outro mundo. A gente sempre se sente deslocado lá, mesmo tendo muitos amigos, é todo um clima diferente e isso a gente sente em cada cidade que passou. Normal, né!? Em São Paulo a estrutura e o clima são outros, é incrível ver a Verdurada, um puta evento DIY daquele tamanho e com aquela organização! Em todos os shows que fizemos no Rio e lá vimos que as condições são outras, até os pequenos shows com estrutura mínima foram muito legais, você compara com o que você geralmente tem na sua cidade e até fica meio triste, mas isso acaba virando combustível pra gente tentar botar a coisa pra frente e melhorar o que dá sempre. A gente entende, obviamente, que a cidade é gigante, é uma metrópole, e lá a muitos anos rola muita coisa no subterrâneo. Já existe um contexto que envolve as iniciativas das pessoas que se envolvem com os corres, aqui na nossa área a gente ainda está tentando construir esse contexto, e o clima reflete tudo isso, muita gente envolvida ou que curte aquilo tudo que rola lá mas a troca de contato e energia se dá de forma bastante particular, como é de se esperar. As pessoas que vão aos shows aqui em Aracaju têm um tipo de postura, as de São Paulo outra e as de Mossoró outra completamente diferente. Não é necessariamente ruim ou bom isso, mas pode ser frustrante pra quem está acostumado com um padrão determinado.

TSN – Levando em consideração tudo isso, você acha que as coisas de alguma forma aconteçam mais lentamente pras bandas que, mesmo envolvidas com o DIY, estão fora dos grandes centros?

DANIELA – Sim, mas isso tem a ver com o que comentei acima. São Paulo é meio que o terreno seminal de muita coisa importante e que veio a ser base pra bandas de outras cidades, do nordeste e de mais lugares onde não se tem tanta “tradição” assim nisso de contracultura, além disso, a distância foi á tempos atrás algo que fazia a diferença para que rolasse um intercâmbio maior, hoje em dia isso foi amenizado com a tecnologia, mas ainda continua difícil ser punk fora das grandes cidades por que existem poucas pessoas que se reconhecem/participam desse “esgoto”. A fala de contexto dificulta muito, mas aí a gente se vira do jeito que dá e escreve nossa história com o punk reinventado, com as nossas influências misturadas ao que a gente tem por aqui mesmo, e isso acaba por dar um sabor especial ao que é feito longe dos grandes centros. É claro que a gente que faz isso tudo e tem banda, preferia que fosse menos complicado e que as coisas andassem mais rápido, mas a gente faz o impossível e vai levando. E é isso que a gente curte fazer, seja da forma que for.

TSN – Qual é a relação de vocês com “o” Straight Edge?

DANIELA – Ivo e eu somos Straight Edges. O João não. Não mesmo, (Risos).
Sempre nos identificamos com isso do punk sem drogas, mesmo antes de conhecer o termo. É algo natural, faz parte de nossa vida, do que a gente é mesmo.

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TSN – Aqui em Belém já foi bem complicado ser SXE, talvez o desconhecimento da maioria das pessoas gerasse desrespeito e até ridicularização em alguns casos, mas com a crescente onda de pessoas que se envolveram com a coisa no final dos anos 90 e início dos anos 00, isso mudou bastante por aqui, hoje apesar de existirem pouquíssimos SXEs aqui, existe respeito por que quem tá envolvido com o hardcore/punk a algum tempo, sabe que o crescimento passado do SXE na região de certa forma contribuiu também pro crescimento do hardcore através de bandas, zines, coletivos, festivais, manifestações e afins. Mas então; e do lado daí? Como é ser Straight Edge em Aracaju?

DANIELA – Sei lá, acredito que deve ser igual a qualquer outro lugar, a gente tenta fazer nossas coisas e viver do jeito que a gente acredita, se sente bem e isso por muitas vezes é uma ofensa para várias pessoas. É difícil pra muitas delas entender que a gente não vincula amigos, festas, shows ou qualquer outra coisa com bebida, por exemplo, e por incrível que pareça isso é o que a gente mais sente no sentido “repressão” por conta de nossa conduta. Aí rola o bullying costumeiro com as piadinhas sem graça e o pré-julgamento sobre a gente. Penso que em qualquer canto deve ser assim, isso tudo é chato, mas não me abala tanto mais. Viver na contramão não é fácil; fácil é fazer o que todo mundo faz.

TSN – Falou tudo e mais um pouco. Mas então, a alguns dias atrás vocês tocaram com uma banda que eu acho sensacional, não só pela musica, mas pela atitude e simplicidade que eles tem, o TUNA, que por sinal eu já tive o enorme prazer de entrevistar aqui, como foi a experiência de tocar, interagir e trocar ideias com eles?

DANIELA – Demais! Já conhecíamos a galera de outros carnavais e eles sempre foram uns fofos. Admiro muito a banda e toda a correria que eles fazem, vivendo mesmo o DIY. Ivo até os chamou de guerreiros do punk ou do subterrâneo nacional num post que fez sobre o show e eu assino em baixo, a banda é foda, o show é só “feeling” e a interação com as pessoas é bem fácil e sincera, curtimos muito o rolê e já já os encontraremos novamente na descida deles indo de volta pra casa.

TSN – Que sorte heim! E eu aqui salivando pra assistir um show deles (Risos).
Mas voltando pro Renegades, eu tô sabendo que vem disco novo por aí, isso por que conversando em um outro dia, você falou algo sobre gravação, então fala um pouco sobre esse novo registro e o que dá pra esperar dele?

DANIELA – Estamos finalizando nosso primeiro full e esperamos sinceramente lançá-lo o quanto antes. Exatamente agora estamos nos ajustes finais com fábrica e selos pra fechar logo isso, o álbum vai ter 12 sons novos, algumas parcerias e uma música requentada (Risos). É um apanhado de coisas que fizemos nos últimos 2 anos e representa um pouco do que a gente é agora, do momento em que a gente está, da influência que a entrada de João Mário causou na banda e essas coisas. A arte está por conta de um artista foda que tivemos o prazer de conhecer nesses rolês da vida, ele se chama Matias Araoz e é desenhista/tatuador. A gente tá gostando do que está rolando… A vontade é de compartilhar isso tudo o mais rápido possível com as outras pessoas e os amigos.

TSN – Admito que desde já eu tô bem ansioso pra escutar esse disco (Risos), mas além disso tudo, tem mais alguma novidade do Renegades pra 2012?

DANIELA – Por enquanto é isso do álbum mesmo e mais alguns rolês que a gente vai fazer tocando. Em novembro vamos para o sul pela primeira vez – estamos muito animados de conhecer pessoalmente pessoas que à distância temos contato a tanto tempo, e tocar com bandas que gostamos! Antes disso a gente tá conversando com algumas pessoas sobre ir pra outras regiões, mas nada 100% certo ainda, além disso, quem sabe um videozinho da banda? Temos amigos que nos prometem há alguns anos isso, vamos ver se rola tempo e vontade deles ainda! (Risos).

    Fotos por: Rosane Calegari

TSN – Que demais heim… Daniela, queria te agradecer muito pela entrevista e dizer que foi um prazer enorme pra mim poder trocar essa ideia com você, toda força do mundo pro Renegades of Punk, que o disco fique pronto o quanto antes, que os rolês sejam destruidores e que vocês toquem aqui em Belém um dia. Algum recado final pro povo que acompanha o site aqui?

DANIELA – Obrigada Robson! O prazer foi meu. O site tá muito legal, ficamos felizes de participar dele um pouquinho. A gente tem vontade de ir pra vários cantos, nunca fui ao norte, seria muito legal! Espero que role um dia e que não seja daqui a muito tempo.
Valeu pela força, pelo espaço e pela atenção. Força pro site também e que você continue com ele, firme e forte. Valeu a todo mundo que perdeu alguns minutos da sua vida pra ler esse bate-papo; espero encontrá-los algum dia. Vamo que vamo, e como diz um amigo nosso “somos punk pra valer e não podemos parar” (Risos).

Tropical Punk!

The Renegades of Punk – s/t EP7″ (2010) – download

Doom Town

Assim como tantas outras, Doom Town é mais uma excelente banda dos anos 00 que ninguém dá muita bola por aqui… por que? Boa pergunta! Eu sinceramente não saberia responder.

Por fim, o que interessa e que a banda é demais, está na ativa, tá aí pra quem não conhece e se interessou em conhecer, e pra quem já conhecia, poder escutar mais porque vale muito a pena.

A banda iniciou suas atividades em 2010 e em Março do mesmo ano, logo de cara em seu primeiro show, abriram pro Nuclear Family que é uma das bandas paralelas dos caras do Limp Wrist e do Acid Reflux.

Em menos de um ano o Doom Town ganhou grande destaque na cena do sul de St.Louis, contando com Ashley Hohman (baixo e vocal), Ben Smith (Guitarra, vocal e ex Corbeta Corbata), Bryan Clarkson (guitarra) e Shaun Morrisey (bateria) também integrante do Humanoids Fame. Com claras influências dos lendários (Los Angeles) X, e dos suécos do Masshysteri, o Doom Town acaba por fazer um som com uma cara bem garage, parecido com o que o Hex Dispensers faz, só que de uma forma mais “sombria” levando em consideração que suas letras falam sobre fúria, degradação, ansiedade, paranóia e coisas do tipo, tudo de forma bem peculiar, crua e suja.

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Em outubro de 2010 eles lançam seu primeiro registro em K7, uma demo alto intitulada e com 6 sons, apesar de gravação meio suja, eu devo admitir que a coisa é indispensável pra quem coleciona ou curte não ficar só no Mp3 e ter o material físico. Não tenho certeza, mas é provável que se você der sorte ainda encontre alguma cópia no discogs.

Em novembro de 2011 o Doom Town lança o primeiro EP 7″ também auto intitulado, que foi produzido pelo Hajji Husayn que toca no Red Dons e obviamente, saiu pela New Dark Ages. Mesmo tendo só 4 musicas (menos musicas que a demo) já fica notória a gravação mais legal em termos de qualidade sonora, as musicas ainda na mesma pegada mas com mais maturidade, ainda que não haja um espaço de tempo grande entre esse registro e o anterior, no total também ficou ótimo. Destaque mais que merecido pra Ashley Hohman que aparece mais nesse EP e destrói tudo nos vocais excelentes. vide “Shrouded in mystery” que na minha opinião é de longe a melhor música do disco.

Ainda em 2011, um mês após o lançamento do EP a banda faz as malas e sai rumo a sua primeira tour européia com 18 shows que foram de Dezembro de 2011 à Janeiro de 2012, no blog dos caras tem um Tour Journal bem interessante sobre a passagem da banda pelo velho continente com fotos, videos e historinhas engraçadas.

Então é isso, deixo com vocês a Demo e o EP dessa banda classe A, que mostra que nem só dos anos 70 e 80 vive o punk. Divirtam-se!!!

Doom Town – Demo K7 (2010) – download

Doom Town – s/t EP7″ (2011) – download